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Quebrando Ciclos


Semana passada Ray me contou sobre um acidente de carro socorrido pelos bombeiros onde dois jovens de 17 anos perderam a vida; bateram num poste porque um deles digira alcoolizado. Eu escutei atentamente mas não consegui responder. Coração de mãe tem esse poder empático de automaticamente se estraçalhar ao imaginar outra mãe enfrentando o que só pode ser a pior dor da vida: perder um filho.



Quando finalmente consegui engolir o nó na garganta, Ray e eu tivemos uma longa conversa sobre o desafio que é criar um filho que, ao mesmo tempo que nos respeite, também confie em nós. Um filho que caminhe confiante pela tênue linha entre saber que as ações dele trarão consequências mas que ele não deve esconde-las de nós por causa disso. Conversamos sobre de que maneira poderíamos alcançar juntos aquele pontinho perfeito no mapa da relação parental onde podemos ser ao mesmo tempo pais e amigos, segurança e conforto, onde Liam saberá que não deve beber, mas que quando o fizer, deve sempre ligar para que eu ou o pai o busque. 



Passei a semana inteira pensando e conversando com uma amiga sobre o assunto. Essa sensação que temos que estamos no controle de quem nossos filhos são e o que nossos filhos fazem é ilusória e passageira. Sendo assim, como transmitir que, acima de qualquer regra que impomos está nosso amor por eles e nossa preocupação com a segurança e bem estar deles? Como segurar essa balança na medida certa, sem pender para o autoritarismo?



Meus pais me criaram de forma regrada e tudo que eu aprendi foi que, se eu fizesse algo errado, eu tinha que mentir para eles. E muitas vezes, isso me colocava em situações muito mais arriscadas do que minhas amigas que tinham pais mais maleáveis. Quero quebrar o ciclo dessa criação por intimidação, mas é difícil. É difícil não projetar em ameaças e vozes alteradas o nosso medo. Medo esse proveniente do amor tremendo que sentimos pelos filhos. Não é irônico? O amor que te faz tratar a pessoa mais importante da tua vida com falta de empatia e amorosidade?


Por Fernanda Marques (@eagoracinderela)

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