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O Orgulho e o Ego


Ontem Liam estava brincando no parque com um baldinho vermelho quando ele largou o balde por alguns minutos e outra criança se aproximou para pegar. Quando ele percebeu, correu na frente e pegou o balde primeiro. A criança, um menininho talvez um pouco mais novo que ele, ficou chateado e correu chorando para o colo da mãe. Liam parou, olhou, se aproximou um pouco dos dois. Parou de novo, olhou mais um pouco. Se aproximou mais e bem devagar, colocou o baldinho no chão na frente do menino para que ele pegasse. O menino, com o balde já em mãos, abriu um sorriso e Liam retribuiu. A mãe do menino agradeceu dizendo que Liam era muito gentil.

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Eu observei tudo de longe. Prefiro não interferir. Política de parquinho flue melhor sem interferência de adultos. Se Liam não quisesse dividir seria um direito dele mas fiquei feliz que ele tenha decidido compartilhar o brinquedo. Outra mãe que estava ao meu lado disse: “que menino doce!” E eu abri minhas plumas como um pavão orgulhoso.

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O negócio é que eu estou numa jornada de tentar maternar sem ego. Sem essa mania que nós temos de achar que tudo que nossos filhos fazem é sobre nós e não sobre eles. Então ontem, sentada lá observando meu filho e seu novo amigo, percebi que esse distanciamento precisa ser praticado não só quando os filhos fazem algo errado mas quando fazem algo certo também. Fica tão fácil pensar que o mérito é meu porque dei espaço pra que Liam aprendesse sobre empatia e gentileza. Mas na verdade o mérito é todo dele. Ele percebeu por conta própria a tristeza de outra criança, algo tocou o coraçãozinho dele e ele decidiu compartilhar. Ele facilmente poderia ter ficado com o brinquedo só pra ele como já aconteceu tantas outras vezes e nenhum desses dois cenários é um reflexo do meu modo de maternar.

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Teria sido fácil transformar a vivência dele em algo meu. Eu poderia ter dito: “que orgulho de ti, meu filho!” Mas, porque tive tempo pra refletir, o que eu disse foi: “eu vi que você dividiu seu baldinho, isso te fez sentir feliz? É legal fazer outra pessoa sorrir, né filho?”

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Não é sobre mim e entender isso durante os momentos de orgulho faz com que seja mais fácil lidar com os momentos de decepção.


Por Fernanda Marques (@eagoracinderela)

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