Buscar

Estranhos Suspeitos


Sabe aquelas plaquinhas de “receba abraço gratuitos aqui”? Já pensei em fazer uma para Liam. Eu tinha uma criança “dada,” aberta para o mundo, que distribuía abraços e sorrisos e high-fives por aí. Eu achava lindo demais! Daí, de uns tempos para cá, Liam começou a olhar torto para as pessoas com quem não convive com frequência. Passou a fechar a cara quando alguém diz oi.

.

Não por coincidência, já que grande parte das pessoas que me acompanha tem filho da mesma idade do Liam, eu comecei a receber bastante perguntas do tipo: “meu filho não fala com ninguém, o que eu faço?” E eu percebi o quanto é difícil às vezes, inclusive para mim, colocar as necessidades emocionais do meu pequeno acima das pressões sociais. Afinal ninguém quer o rótulo de “essa não educa o filho.” Mas, realimente, contra as dúvidas e culpas que nos afligem, existe um antídoto: informação.

.

Existe uma fase do desenvolvimento infantil a qual eles dão o nome de “stranger suspicion” aqui. Algo como “suspeita de estranhos.” Nós pais que um tempo atrás passamos pela “angústia da separação” ficamos confusos quando os nossos pequenos, até então simpáticos, chegam aos 2/3 anos e, de repente, se “fecham”. Acontece que isso é totalmente normal e, diferente da angústia da separação, essa “suspeita” é baseada em pensamento racional por parte da criança. A medida que a criança vai entendendo o mundo e como ele funciona, ela vai tendo também uma maior noção do que representa perigo. E para elas um desconhecido, ou até mesmo um conhecido com quem ela não convive, representa exatamente isso. Sem contar que esses “estranhos” quase nunca respeitam os sentimentos e os limites da criança, o que piora ainda mais a situação.

.

Fases, minha gente. Fases. Podemos inventar profecias auto-realizáveis sobre crianças tímidas (o que pode ser que sua criança seja, mas deixe que ela mostre isso para você, não a coloque numa caixinha). Podemos inventar rótulos e falar coisas maldosas como: “você é chato/antipático/antisocial”. Ou podemos aceitar e tentar contornar com respeito aos nossos filhos e atenção às necessidades emocionais da fase na qual eles se encontram. Por aqui, vou tentando a terceira opção.


Por Fernanda Marques (@eagoracinderela)

383 visualizações
  • Pinterest
  • Telegam
  • Instagram

Siga o E Agora Educando nas redes sociais

© 2020 by E Agora Educando