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Coelhinho Knuffle


A verdade é que a maternidade irá sim te desprover de muitas coisas. Horas de sono, silêncio noturno, paz matinal, liberdade para ir e vir. Mas você receberá tantas outras coisas em troca. Talvez porque o universo goste de favorecer algum senso de equilíbrio ou talvez porque o processo evolucionário tenha entendido milhões de anos atrás que para continuação da raça humana é necessário que procriemos.



Certamente uma das partes mais extraordinárias nesse louco processo que é povoar o mundo com mini seres humanos é o fato de que eles nos permitem estar em estado de aprendizagem constante. Sério. Não sei se ser mãe é padecer mas com certeza ser mãe é aprender. Tipo, o tempo todo. Nos mais inusitados dos momentos das mais inesperadas das maneiras. Talvez essa seja a questão: ou você evolui ou você padece.
 Hoje evolui no silêncio da noite, dentro de um livro velho e herdado. Um dos favoritos do Liam mas que só hoje, exatamente quando eu precisava, eu consegui absorver e tomar para mim a mensagem. Knuffle Bunny é um clássico da literatura infantil americana escrito pelo Mo Willems, o mesmo autor da série de livros O Elefante e a Porquinha. Acho que ainda não existe a versão em português de Knuffle Bunny mas o livro é lindo e conta a história da ida de uma menininha com seu pai a lavanderia. Lá ela perde seu coelhinho de pelúcia e na caminhada de volta para casa ela, que ainda não sabe falar, tenta de todas as maneiras demonstrar para seu pai que está infeliz. O pai não se deu conta da falta do coelho, tentou acalma-lá de outras maneiras e é claro, o episódio todo resultou em um chilique daqueles por parte da criança que simplesmente não conseguia comunicar algo tão simples. O pai diz: “não fique nervosa.” E o narrador que via o ponto de vista da menina responde: “bem, ela não tem escolha…”



Fiquei pensando quantas vezes eu não ofereço escolhas ao meu filho, quantas vezes, na falta de comunicação verbal, tudo que o resta é uma birra ou um chilique? Quantas vezes minha pressa e impaciência fizeram com que as necessidades dele passassem despercebidas? São tantos o questionamentos e a única certeza que tenho é o quanto educar é difícil.

Nossos filhos nos ensinam todos os dias. Todos os dias eles demonstram como é fácil ser feliz. Os chiliques no meio do super mercado podem até te deixar achando que teu filho não se encaixa. Mas não se encaixa mesmo. E nem deve. Esse mundo de adultos onde emoções são veladas constantemente não os pertence ainda. Felizmente!


Por Fernanda Marques (@eagoracinderela)

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