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CEO de Vidas

Atualizado: Mar 6



O mundo corporativo fez de mim uma mãe melhor. Aí está uma frase que eu nunca nunquinha me imaginaria escrevendo. E não, não tem a ver com o fato de que as horas que passo distante do meu filho me fazem apreciar ainda mais sua presença. Isso às vezes é verdade e outras não—tem dias quando já entro pela porta de casa com os níveis de energia e paciência esgotados. Mas quer um intensivão em maternagem empática? Esqueça os retiros espirituais e workshops de Disciplina Positiva e faça um estágio de uma semana numa empresa de grande porte.

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Eu entrei na empresa me sentindo meio deslocada, vulnerável e pequenina, não muito diferente de como uma criança se sente num mundo onde regras são feitas pensando apenas nos adultos. Era difícil focar nas minhas inúmeras responsabilidades quando meu cérebro trabalhava a mil por hora tentando assimilar questões que para os outros lá já eram simples e corriqueiras. Eu passava grande parte do tempo me sentindo insegura, inadequada e procurando nos outros sinais de aprovação.

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Na minha segunda semana de trabalho, eu ensinei alguns segmentos da aula pela primeira vez. Me deram o material mas não me deram um tempo específico. Então, numa tentativa de demonstrar todo meu conhecimento e esconder todo meu nervosismo, eu falei e falei e falei. Quando recebi o feedback negativo, me frustrei. “Que injusto! Como vou planejar uma aula se não me falam quanto tempo eu tenho?” Regras aleatórias, expectativas desleais, pessoas que acham que você deve saber o que nunca te foi ensinado. Soa familiar pra ti?

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No dia que levei meu primeiro esporro de chefe eu fiquei meio desnorteada. Eu estava lá fazendo tudo certinho, dando meu melhor e minha chefe não enxergou. Me senti triste, sem valor. Fiz tudo errado o resto do dia porque na minha cabeça eu ficava revivendo o esporro de novo e de novo e pensando no quanto ele havia sido injusto. Aprendi absolutamente nada com o ocorrido até que na semana seguinte, em vez do esporro, minha chefe chamou a geral e conversou sobre responsabilidades compartilhadas e esforço em time.

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Quando recebi feedback positivo algum tempo depois, eu andava nas nuvens. Quanto mais me diziam que eu estava fazendo um bom trabalho, mais eu me esforçava, mais eu me dedicava, mais eu amava estar ali, naquele lugar, com aquelas pessoas. Meu senso de valor próprio foi lá pra cima e consequentemente, eu comecei a render mais. Não é difícil fazer um paralelo: eu lá embaixo na hierarquia num mundo sobre o qual eu pouco entendia.

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Quer ser uma mãe empática? Imagina se teu chefe falasse contigo exatamente como tu fala com teu filho, se fosse exigido de ti coisas que estão para além das tuas habilidades, se te premiassem e punissem aleatoriamente, se falassem contigo como se teus sentimentos nada significassem.

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Mãe e pai sempre querem o bem dos filhos e entendo que os que aplicam uma educação mais rígida estão preocupados em preparar os filhos para as demandas e decepções do mundos. Mas por que temos que preparar filhos para o mundo em vez de filhos que mudem o mundo? Por que insistimos em criar filhos emocionalmente dormentes para que aguentem a pressão do mercado de trabalho quando podemos criar filhos que construam um mercado de trabalho sem gritos, pressões e humilhações? Somos todos CEOs dessas pequenas vidas mas muitas vezes esquecemos que esse é um trabalho temporário. E quando o posto não for mais teu, qual será teu legado?


Por Fernanda Marques (@eagoracinderela)

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