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A fase dos porquês


“Mamãe, por que você faz xixi sentada?” Eram 6:45 da manhã. Eu tenho quase certeza que meus olhos ainda não estavam completamente abertos. Há de se inventar uma lei que proíba tais perguntas antes que uma pobre mãe tenha chance de tomar seu primeiro gole de café. “Porque a mamãe tem uma vagina, filho. É mais confortável assim. Diferente de você que tem um pênis.”

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Voltando da escola mais tarde: “Mamãe, por que as nuvens se movem e por que a terra gira em torno do sol?” Tento devolver a pergunta: “Por que você acha que isso acontece?” Ele: “Não, mamãe. EU que tô perguntando!” E eu comecei a falar, como quem conta uma história, sobre o pouco que eu sei sobre planetas e órbitas e nuvens.

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A Fase dos Porquês anda a todo vapor por aqui e eu bem que andava tentada a sair por aí com uma enciclopédia embaixo do braço até descobrir que as minhas respostas, mesmo quando incompletas, não importavam tanto assim. A busca por conhecimento não é o motivador primordial dos questionamentos dele, o que meu filho mais busca naquele momento é CONEXÃO.

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Quando oferecemos respostas simples de “causa e efeito,” o próximo porquê nos espera e depois desse mais um outro ad nauseam. Não importa quão correta seja a resposta, ela não satisfaz pois o porquê das crianças não significa o mesmo que o nosso. Na linguagem ainda não tão sofisticada delas o que elas querem realmente dizer é: “Isso é interessante. Me fala mais sobre isso. Conversa comigo.”

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Liam está vivendo um pico maravilhoso de curiosidade, imaginação e criatividade. O mundo para ele é fascinante mas explora-lo sozinho ainda é algo que o intimida. Os porquês nada mais são do que um convite para que eu explore esse mundo com ele. E cada vez que eu digo sim, engajando com ele numa conversa (ainda que muitas vezes com respostas rasas e não totalmente relacionadas às perguntas), eu redescubro um mundo inteiramente diferente e muito mais maravilhoso.


Por Fernanda Marques (@eagoracinderela)

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